Céu da boca ou a tramela da porta do labirinto.
Número três e nem mais um décimo.
Não sirvo
pra servir. Escancaro a boca e saem sem fins e sem quereres. Não há riscos.Não
há rastros. Não sirvo pra ninguém. Todos os dentes são grandes como dentes de
um cavalo.Não basta de amar, mas não sofre. Cavalga tantas palavras.Como se
tivesse permissão.
Não comprei
as normas da desilusão.sou isso e aquilo e sem saber eu me perco em mim e sem
achar finjo que caiu alguma coisa no chão. Não vou pra lugar nenhum. Estou assistindo
a cintilância de passar o tempo se desconhecendo.Não interrompa.Devaneios e
silêncios.
Não te percas na minha boca.existem labirintos
menores.
Ali, onde
ficam todos sentados. Ali onde eles se transformam no que vêem. Eu persisto em
ser nada. Em nada querer. Em nada. Tateio contornos e desapercebo todas as
formas. São nada.
Não te
percas na minha boca. Existem labirintos melhores.
Sem
florestas de dentes. Sem sorrisos de querência. Sem torpor. Crua.Pura.Indecisa.
TUDO SEM APARAS. O meio do meio é a língua. E esse é o melhor lugar.Não sente
ainda. Não aí. Uma nascente sem dono.sem potrões. Língua de égua. Língua De água.
Serpente.Língua
de passarinho. Inseto que rasteja. Récem.Parido.
Não acredite
demais. Há por trás outras tormentas.tempestades. sem venturas.
Sim.Existem
labirintos maiores.
Obs: Chove
tudo e eu pedi. Se não agüenta não senta, menina. Chuva é coisa séria.
Andrea
Dora-Salvador
( Imagem especialmente feita por Luna Matos)

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