sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Céu da boca...


Céu da boca ou a tramela da porta do labirinto. Número três e nem mais um décimo.

Não sirvo pra servir. Escancaro a boca e saem sem fins e sem quereres. Não há riscos.Não há rastros. Não sirvo pra ninguém. Todos os dentes são grandes como dentes de um cavalo.Não basta de amar, mas não sofre. Cavalga tantas palavras.Como se tivesse permissão.
Não comprei as normas da desilusão.sou isso e aquilo e sem saber eu me perco em mim e sem achar finjo que caiu alguma coisa no chão. Não vou pra lugar nenhum. Estou assistindo a cintilância de passar o tempo se desconhecendo.Não interrompa.Devaneios e silêncios.
 Não te percas na minha boca.existem labirintos menores.
Ali, onde ficam todos sentados. Ali onde eles se transformam no que vêem. Eu persisto em ser nada. Em nada querer. Em nada. Tateio contornos e desapercebo todas as formas. São nada.
Não te percas na minha boca. Existem labirintos melhores.
Sem florestas de dentes. Sem sorrisos de querência. Sem torpor. Crua.Pura.Indecisa. TUDO SEM APARAS. O meio do meio é a língua. E esse é o melhor lugar.Não sente ainda. Não aí. Uma nascente sem dono.sem potrões. Língua de égua.  Língua De água.
Serpente.Língua de passarinho. Inseto que rasteja. Récem.Parido.
Não acredite demais. Há por trás outras tormentas.tempestades. sem venturas.
Sim.Existem labirintos maiores.

Obs: Chove tudo e eu pedi. Se não agüenta não senta, menina. Chuva é coisa séria.

Andrea Dora-Salvador

( Imagem especialmente feita por Luna Matos)



Nenhum comentário:

Postar um comentário