segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

NINA.



NINA: nucas, sujeiras e outras tolices bem doces.

Para Marie P; o mais puro ímpeto de vida.


voltando a falar naquele assunto do qual fugimos o tempo, todo; eu caço a noite. Eu caço olhos desavisados, mãos e dedos longos. caço bocas.
sempre nos mesmos lugares. Eu ando pelas ruas e os prendo quando são carentes e desesperados por um pouco de atenção. Eu faço com que se sintam melhores. Sempre darei o meu melhor. Por um minuto. Eles querem se perder... São tolos.
Um sorriso, dentes, um pouco de cabelo na nuca, um cílio perdido pelo rosto, mãos que não param, bocas que são sempre espontâneas, idéias surpreendentes. Imaginam que tudo isso têm um cheiro particular e bom. sonham em ser os únicos.
Falam de cheiros e doçuras e perdição. Voltam a pensar e querem. Compram novas idéias em lugares recomendados, bebem mais e ensaiam novas mentiras.
Tudo envolve aquele sorriso e aquela doçura. Aquela sujeira, aquele balanço fingidamente moleque. Borboletas que voam e que são puro veneno. Venenos fortes demais.
Não quero suas flores mortas. Mesmo que sejam vermelhas. Não quero teus presentes iguais. Batons, saias, livros, discos e palavras encantadas. A pele basta. Peles quentes desenhadas com grãozinhos de beleza que lembram pinturas japonesas. Tudo pequenino, tudo feitinho por Deus. Quero idéias repetidas como ondas que vão e que voltam.
Quero sem controle. Quero sem pensar. Quero num canto qualquer. Quero no chão. No meio da rua. No meio da chuva. No sol de meio-dia. Quero com dor, com cuspe, com som de torneira pingando e dedos intermináveis. com som de Nina... aquela mesma.
Língua. Músculo. Pêlos. Sacrifícios. Quero mexer na tua semana. Sem açúcar, sem profundidade. bem vulgar,  bem suja e bem doce.


Andrea Dora
Salvador, em um mês de carnaval qualquer. qualquer dia..

(Imagem: Rodney Smith).



Elis- A Dama do Apocalipse.



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